Um híbrido diferente: conheça o Leapmotor C10 Ultra-Híbrido (REEV), que promete 950 km de autonomia

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Leapmotor. Preste muita atenção nessa marca. A parceira chinesa de carros híbridos e elétricos da Stellantis (dona da Fiat e da Jeep) vai produzir carros no Brasil e desembarcou em novembro de 2025 com os importados C10, um SUV com duas opções de motorização: 100% Elétrico (BEV), vendido por R$ 204,99 mil, e o C10 Ultra-Híbrido (REEV), comercializado por R$ 219 mil. Na sequência, veio o B10 elétrico, um SUV médio 100% elétrico de 218 cv vendido por R$ 182,99 mil. Chegou o momento de testar no dia a dia o C10 Ultra-Híbrido (REEV).  

Porte imponente: 4,74 m de comprimento, 1,90 m de largura e 1,68 m de altura | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

O exemplar enviado pela montadora para a tradicional avaliação de uma semana é na cor verde Boreal. O visual moderno antecipa toda a tecnologia do C10. Mesmo quem está habituado a elétricos e híbridos, necessita receber uma completa entrega na concessionária, pois há diversos detalhes que precisam ser assimilados. Para entrar no carro, basta aproximar a chave-cartão NFC junto ao espelho retrovisor externo do motorista, ação que também já liga o motor elétrico. Tanto é que não há botão power no interior. Para facilitar o acesso, o banco do motorista se afasta alguns centímetros e depois retorna à posição original.

Basta aproximar a chave-cartão para abrir o carro, ação que liga automaticamente o motor elétrico | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

No console central, há um espaço para acomodar esse cartão. Para sair rodando, basta escolher D ou R no seletor localizado na coluna do volante. Não é necessário desativar o freio de estacionamento, pois o carro faz tudo sozinho. Terminada a viagem, é só colocar em P (Parking), sair do veículo e novamente aproximar a chave-cartão do retrovisor para que o sistema deslige o powertrain e feche os vidros. Essa chave digital também permite usar o celular para abrir as portas, bastando se aproximar do carro.

Esta versão REEV do C10 consiste em um híbrido diferente dos demais existentes no mercado, em que a tração é alternada entre os motores a combustão e elétrico. Apesar também haver dois motores, um a gasolina e outro elétrico, a tração no C10 é realizada sempre pelo elétrico, pois o propulsor a combustão serve apenas como um gerador. O motor elétrico está instalado no eixo traseiro, gerando 215 cv e 32,6 kgfm de torque. Já o propulsor a combustão, que está instalado na dianteira, é um 1.5 de 4 cilindros alimentado apenas por gasolina, utilizando o ciclo Atkinson para garantir maior aproveitamento energético. Esse motor a combustão desenvolve 88 cv e 12,75 kgfm de torque mas, como não está conectado às rodas, os números não exercem absolutamente nenhuma interferência no desempenho.  

Motor 1.5 de 4 cilindros a gasolina está instalado na dianteira e funciona apenas como gerador | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Exclusivamente no modo elétrico, o carro pode rodar 111 km, conforme o ciclo Inmetro. Mas como o motor a gasolina conta com um tanque de 50 litros, o carro promete rodar 950 km. A título de comparação, o C10 100% elétrico tem o mesmo motor (que no entanto é 3 cv mais potente, gerando 218 cv) e promete 338 km de autonomia pelo ciclo Inmetro com uma única carga das baterias. A transmissão consiste em uma ligação direta do motor ao diferencial.

As baterias têm capacidade para 28,4 kWh e usam a tecnologia fosfato de ferro-lítio (LFP) que, segundo a montadora, têm alta densidade, controle eletrônico, maior durabilidade e resistência à fuga térmica, contando com arrefecimento a líquido. Elas são recarregadas pelo gerador durante o uso normal do carro, mas também é possível conectar o veículo a eletropontos. Nessas paradas, basta escolher o que for melhor para a ocasião: reabastecer o tanque ou recarregar as baterias, saindo de 30% para 80% de carga em apenas 18 minutos em um carregador rápido. Em um carregador de 6,6 kW, são necessárias 3 horas para carregar até 80%. O modelo também é equipado com a tecnologia V2L (vehicle to load), que permite o uso da bateria do carro para alimentar computadores, cafeteiras ou até geladeiras mesmo em locais sem infraestrutura ou sempre que faltar energia na rede.

Quatro modos de energia

Além dos programas de condução, há 4 modos de energia específicos para atender à necessidade imediata de uso:

EV+: prioridade máxima no uso da bateria, com acionamento do motor a combustão quando a bateria alcança um nível mínimo de carga. O condutor recebe um aviso no painel 

EV: recomendado para o uso urbano no dia a dia, prioriza a utilização da bateria, com acionamento eventual do motor-gerador a combustão se necessário 

Combustível: recomendado para viagens, faz a otimização da energia da bateria e motor a combustão para entregar a melhor autonomia possível

Power+: aciona instantaneamente o motor gerador, para momentos nos quais é necessário garantir energia para a bateria 

Para rodar no EV+, é preciso ficar atento para não deixar a bateria chegar a um nível muito baixo. É claro que se isso acontecer, uma mensagem aparecerá no multimídia, solicitando que o motorista altere o modo. E é melhor mudar mesmo para não ficar empenhado. Porém, uma atualização recente feita no software seleciona automaticamente o modo Ev+ toda vez que o carro é ligado. Por isso, é preciso ficar atento à carga da bateria e selecionar manualmente outros modos antes de cada viagem.

Desempenho e dimensões

Com 2,82 m de entre-eixos, modelo proporciona ótimo espaço para quem vai atrás | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Apesar de suas quase duas toneladas (1.976 kg, para ser exato), o C10 REEV tem bom desempenho: cumpre a prova do 0 a 100 km/h em 8,2 s e atinge 170 km/h (velocidade limitada eletronicamente). É possível escolher entre opções Conforto, Esportivo e Personalizado, além de alterar a intensidade da frenagem regenerativa, controlar o auto-hold ou ativar o modo de arrasto, que simula o comportamento de um carro automático convencional, iniciando a marcha em baixa velocidade conforme o freio é aliviado. 

A tração traseira é um diferencial em relação à maioria dos concorrentes de tração dianteira. Além de garantir melhor estabilidade, contribui para aumentar a durabilidade dos pneus.  

Porta-malas com 435 litros e cabo par acarregar as baterias na tomada caseira | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Ao volante, a suspensão entrega bom nível de conforto, sem comprometer a estabilidade, potencializada pelo baixo centro de gravidade e pelo sistema traseiro multilink. Espaço interno é ótimo graças às dimensões externas: 4,74 m de comprimento, 2,82 m de entre-eixos, 1,90 m de largura e 1,68 m de altura. No porta-malas, cabem 435 litros de bagagens. A tampa do porta-malas conta com sistema de abertura e fechamento elétrico. Por meio de um comando na própria tampa ou diretamente no sistema multimídia, é possível programar o limite de abertura, recurso essencial em garagens com teto baixo ou vagas próximas à parede.

Eficiência aerodinâmica

O design moderno favorece a aerodinâmica, caracterizando-se por maçanetas embutidas e limpador de vidro traseiro embutido atrás do spoiler. Na frente, destaque para os faróis em LED com tecnologia adaptativa, que ajusta a luminosidade conforme condições climáticas e tráfego. Na traseira, as lanternas em LED são unidas por uma barra iluminada. As rodas em liga-leve aro 20” escurecidas são calçadas com pneus 245/45. 

Equipamentos e acabamentos

A bordo, bons materiais de acabamento e duas telas digitais | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

O design clean do interior acompanha a proposta moderna do exterior. Os materiais são agradáveis ao toque e a iluminação ambiente Smart Light customizável amplia a experiência a bordo. São raros os botões físicos, o que chama a atenção. Os únicos existentes estão no volante, para ajuste de retrovisores, volume do som e acionamento dos sistemas de assistência à condução. Todas as demais funções, incluindo direcionamento do vento do ar-condicionado, precisa ser feita pela tela de 14,6” da central multimídia Leap One.  

Abaixo do multimídia, há um console central com carregador de indução embutido para celulares. Modelo traz Theather Sound System com 12 alto-falantes e subwoofer. O teto panorâmico Sky View tem 2,1 m² de área total, mas não abre, pois é fixo.

Teto panorâmico Sky View tem 2,1 m² de área total e não abre, pois é fixo | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Os assentos dianteiros têm ajuste elétrico e um sistema de aquecimento e ventilação. Os passageiros do banco de trás contam com saída exclusiva de ar-condicionado.

Para se precaver em caso de imprevistos no trânsito, é possível acionar as quatro câmeras posicionadas na carroceria e retrovisores para realizar uma gravação contínua de 360º ao redor do carro, com armazenamento das imagens sendo feitas diretamente em um pen-drive.

Assistentes semiautônomos de condução

Em todas as versões, o Leapmotor C10 dispõe do Leap Pilot, que reúne piloto automático inteligente com controle automático da distância do veículo à frente, leitor automático de placas, assistente de manutenção de faixa e frenagem automática de emergência, entre outros. 

Resumo da Resenha

O C10 Ultra-Híbrido é uma proposta que resolve dois problemas numa tacada só: a baixa autonomia de muitos elétricos e também o desempenho ruim de alguns híbridos quando acaba a força das baterias e resta apenas o motor a combustão para movimentar o veículo. Como a tração do C10 Ultra-Híbrido é sempre feita pelo motor elétrico instalado na traseira, não há oscilação na entrega de potência cada vez que que o motor a gasolina é selecionado pelo sistema para realizar a tração, como ocorre com outros híbridos. Mesmo nos modos Combustível e Power+, o motor a gasolina funciona de forma silenciosa, quase imperceptível, sem aumentar significativamente de giros – pelo menos não como os tradicionais, que chegam a 6.000 rpm.

Durante o teste, o carro foi carregado uma única vez na tomada comum, e só durante uma hora. O objetivo era checar a eficiência do motor-gerador, que foi aprovado com louvor, evitando que a carga das baterias caísse demais. Em um trecho de 100 km (70% estrada e 30% cidade), no modo Power+ a bateria foi regenerada de 32% para 38%. Não é nada espetacular, confesso que eu até esperava mais, porém é sempre satisfatório ver a carga da bateria subindo, e não descendo. Ao longo de 400 km, ainda havia meio tanque de gasolina disponível, permitindo mais 378 km de autonomia e totalizando 778 km. Em resumo: isso se traduz em grande tranquilidade durante longas viagens.     

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