Fiat 50 anos: marca criou 9 segmentos de mercado no Brasil

Lançado em 1994, Uno Turbo superava os 190 km/h com seu 1.4 turbo de 118 cv | Foto: Divulgação

Ao longo dos seus 50 anos de Brasil, a Fiat foi pioneira na criação e consolidação de nada menos do que 9 segmentos de mercado, oferecendo opções novas e inteligentes, focadas no desejo e anseios do público, que tiveram grande êxito comercial e visibilidade.

Essa trajetória de criatividade e ousadia de trazer novos segmentos, começou ainda em 1977, quando a Fiat com uma ideia simples, mas perspicaz, criou o segmento de furgões pequenos com o lançamento do 147 Furgão (também conhecido como Furgoneta). Derivado direto do 147, esse modelo não tinha banco nem vidros na parte traseira, que ficava inteiramente disponível para carga, oferecendo nada menos do que 1.160 litros ou 420 quilos de capacidade — números excelentes para um veículo compacto. Logo os frotistas perceberam que as características únicas do 147 Furgão eram ideais para vários tipos de serviços urbanos, como entregas rápidas ou serviços de assistência técnica. O modelo trazia a mesma mecânica do 147, ou seja, motor de 1.049 cm3 com 55 cv, combinando economia e resistência. A parte interna também era igual, à exceção de uma divisória atrás dos bancos dianteiros que isolava o compartimento de carga. 

Em 1977, marca lançou o 147 Furgão, versão que teve grande aceitação | Foto: Divulgação

Provando que a ideia foi um sucesso ao proporcionar menor custo de aquisição e operação para empresas de vários portes e segmentos, a proposta inovadora do 147 Furgão prosseguiu gerando sucessores ao longo dos anos, como o Uno Furgão (1988) e o Novo Uno Furgão (2013). 

No ano seguinte, em 1978 a Fiat novamente exercitou o ineditismo com o lançamento da 147 Pickup, primeira picape leve derivada de automóvel do Brasil. Nascia ali uma faixa de mercado que se mostraria uma das mais importantes e desejadas da indústria automobilística nacional, até os dias de hoje. Inicialmente equipada com caçamba curta e porta traseira que se abria lateralmente, a 147 Pickup tinha capacidade para 600 litros ou 380 kg. Em 1981 passou a usar a plataforma do Fiat Panorama, o que lhe conferiu uma caçamba ainda maior e capacidade elevada para 825 litros ou 500 kg — e um novo nome: Fiorino Pickup. Neste mesmo ano chegou a City, com apelo jovem e a frente do 147 Europa. 

Esse pioneirismo da Fiat abriu caminho para as novas gerações no segmento, cada vez mais bem-sucedidas: nova Fiorino, derivada do Uno (1988), Strada (1998) e nova Strada (2020), não por acaso atualmente o veículo mais vendido do Brasil, entre todas as categorias, há quase seis anos consecutivos. E também o mais vendido em toda a América do Sul em 2025, com mais de 150 mil unidades comercializadas. 

Em 1980 surgia outra novidade: o primeiro furgão derivado de uma picape leve do Brasil, o 147 Fiorino. Ofertado com carroceria fechada tipo baú, dispunha de incríveis 2.500 litros de capacidade (ou 420 kg). Era equipado com motor 1.3 litro de até 62 cv a etanol e oferecia receita inédita e imbatível ao mesclar versatilidade e robustez com baixo custo operacional. 

Mais uma vez demonstrando a coerência e assertividade da proposta, desenhada sob medida para o mercado nacional, o conceito do 147 Fiorino evoluiu com o passar dos anos para o Fiorino Furgão, baseado no Uno (1988), e depois chegou à sua terceira geração, derivada do Novo Uno (2014), recentemente renovada (2025). Mais uma vez o resultado veio: o Fiorino é líder de vendas de sua categoria há mais de 20 anos. 

O espírito desbravador da Fiat, porém, não se restringiu aos veículos comerciais. Em 1990 a marca mudaria para sempre o mercado brasileiro ao lançar o Uno Mille, o primeiro modelo do segmento de carros 1.0 modernos. Equipado com motor de 994 cm3 com 48 cv, tornou-se o carro mais barato do país graças à redução de 37% para 20% no IPI, totalmente repassada ao preço final. 

Simples sem ser despojado e extremamente funcional, o Mille ganhou ainda mais projeção com a criação do “Carro Popular” pelo governo federal, em 1993, quando o IPI para modelos com motor 1.0 foi zerado. Com a nova redução de valores milhares de brasileiros passaram a ter, pela primeira vez, condições de comprar um carro zero-quilômetro. 

Os modelos 1.0 chegaram a representar 70% das vendas de automóveis no Brasil (2001), e ainda hoje respondem por 54%, segundo dados da Anfavea (janeiro a setembro de 2026). De lá para cá o conceito do Mille, com o carro popular, evoluiu para Palio (1996), Novo Uno (2010), e chegou ao Mobi (2016), que desde 2021 figura na lista dos dez veículos mais vendidos do País. 

Sempre incansável quando o assunto é trazer novas opções ao consumidor brasileiro, em 1994 a Fiat causou novo furor ao inaugurar o segmento de automóveis esportivos com motor turbo de fábrica. Dessa vez o pioneiro foi o Uno Turbo, que superava os 190 km/h com seu 1.4 turbo de 118 cv. Vale lembrar que o turbo, hoje algo corriqueiro, era associado na época apenas a picapes diesel ou a carros “envenenados” por oficinas independentes, com resistência e resultados técnicos questionáveis. 

O Uno Turbo não ficaria sozinho neste novo segmento: apenas dois meses depois ganharia companhia, mas de outro Fiat, o Tempra Turbo, então o carro mais veloz do país, com máxima de 220 km/h graças ao seu imponente motor turbo 2.0 de 165 cv. O legado esportivo destes dois ícones foi mais tarde representado por vários modelos, como Marea Turbo e Marea Weekend Turbo (1998), Linea T-Jet (2008), Punto T-Jet (2009), Bravo T-Jet (2011) e 500 Abarth (2014), até chegar hoje ao Pulse Abarth e Fastback Abarth. 

Em 1999, Fiat trouxe o primeiro automóvel aventureiro leve, a Palio Adventure | Foto: Divulgação

Atrevida, não demoraria muito para a Fiat criar mais um segmento de mercado no Brasil. Já em 1999 trouxe o primeiro automóvel aventureiro leve, a Palio Adventure, que conseguia fazer bonito no fora de estrada leve sem que o consumidor precisasse recorrer aos pesados e caros utilitários 4×4. 

Derivada da Palio Weekend, era 40 mm mais alta, com braços de suspensão traseira mais longos e curso maior, além de pneus 175/80 R14 do tipo cidade/campo. A caracterização externa era exclusiva, com revestimentos nos arcos dos para-lamas, reforço no para-choque dianteiro, estribos, bagageiro mais alto e faróis de neblina e de longo alcance. O motor era o Sevel 1.6 de 106 cv. 

A Adventure fez tanto sucesso que o conceito foi reproduzido em outros modelos Fiat, como Strada (2002), Doblò (2003) e Idea (2006), sendo que depois todos receberiam o sistema Locker (2008). O estilo aventureiro avançou ainda para o Mille Way (2006), Novo Uno Way (2010), Palio Way (2014) e Mobi Way (2016), e atualmente está representado por Mobi Trekking e Argo Trekking. 

De volta às picapes a criatividade Fiat, aliada a uma sempre atenta escuta dos anseios dos consumidores, não arrefeceu com o passar do tempo. A marca ainda criou os segmentos de picape leve com cabine estendida, em 1999, e com cabine dupla, em 2009, ambos com a Strada.  

A cabine estendida trazia 30 centímetros de espaço interno adicional, possibilitando que os encostos dos bancos pudessem ser mais reclinados ou que pequenos volumes, como malas e mochilas, fossem transportados do lado de dentro. Já a cabine dupla era 55 centímetros maior do que a convencional e trazia banco traseiro para duas pessoas — a versão ainda ganhou mais tarde a terceira porta (2013). Mais uma vez o espírito de inovação da Fiat encontrou grande triunfo nas vendas e continuidade nas novas gerações de veículos, tanto assim que atualmente os dois conceitos seguem vivos na nova Strada, que conta com as opções de cabine plus e dupla. 

Em 2016 mais um segmento surgiu no mercado automotivo nacional por iniciativa da Fiat. Foi o de Sport Utility Pick-Up, SUP, com o Toro, que uniu a robustez e a funcionalidade de uma picape com a dirigibilidade, conforto e tecnologia de um SUV. O modelo é líder de vendas do segmento há 10 anos consecutivos e já teve mais de 650 mil unidades produzidas. É mais uma prova de que a criatividade, o pioneirismo e a política de constante inovação da Fiat no mercado nacional sempre foram reconhecidos e, principalmente, admirados e usufruídos pelos consumidores ao longo de 50 anos da marca no Brasil. 

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