Carro de rua com acerto de pista: confira o teste do Ford Mustang Dark Horse, que tem 507 cv

Clique na imagem para assistir ao vídeo e inscreva-se no canal Carros e Carangas

Um superesportivo com acerto de pista. Usado como base para a criação do Mustang GT3 de corrida, o Mustang Dark Horse é a versão de série homologada para as ruas que mais se aproxima de um modelo de competição. Debaixo do capô está o famoso motor Coyote V8 5.0 em versão ainda mais potente, com 507 cv, 15 cv a mais que o Mustang GT. Cavalaria de respeito que se traduz no desempenho: aceleração de 0 a 100 km/h em 3,7 s e velocidade máxima de 250 km/h, limitada eletronicamente. Nas Impressões ao Dirigir, confira todos os detalhes do modelo, comercializado por R$ 649 mil.

Vendido por R$ 649 mil, modelo tem 4,82 m de comprimento, 1,96 m de largura e apenas 1,40 m de altura | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Verdadeira lenda entre os esportivos, o Mustang foi lançado em 1964 e já está na sétima geração. A nova versão desembarcou no Brasil em agosto de 2025, recebendo adaptações específicas de engenharia: além de uma nova calibragem do motor para extrair maior potência e adequação à gasolina nacional, com cerca de 30% de álcool na mistura, a suspensão adaptativa MagneRide foi ajustada para as condições de rodagem do Brasil e os softwares das telas atualizados para o idioma Português.

O exemplar enviado pela montadora para o tradicional teste de uma semana é na discreta cor cinza Torres, mas os tons que mais destacam o carro são o azul Estoril e o vermelho Arizona. O Dark Horse diferencia-se pela máscara negra envolvendo a grade dianteira e os faróis em com três projetores em LED de cada lado, pelas faixas esportivas no capô e pelos elementos escuros da carroceria – incluindo grade do para-choque, spoiler traseiro e capas dos retrovisores. O logo tradicional do cavalo na grade dianteira também é escurecido e, nas laterais, estão os emblemas alusivos ao cavalo preto. Atrás, o destaque são as 4 ponteiras de escape, duas em cada lado.

As proporções do carro impressionam à primeira vista, com o capô longo e traseira curta. O Mustang tem 4,82 m de comprimento, 2,72 m de entre-eixos, 1,96 m de largura e apenas 1,40 m de altura, o que ajuda bastante na estabilidade. Ou seja: é comprido, largo e baixo. A altura em relação ao solo também é baixa (apenas 13,8 cm) e é preciso passar de lado na maioria dos quebra-molas para não raspar o assoalho. As rodas aro 19” têm visual exclusivo e são escurecidas, usando pneus Pirelli PZero. Na dianteira, são na largura 255/40 e, na traseira, 275/40. Uma tecnologia bastante útil para as nossas ruas é o sistema de detecção automática de buracos, atuando com sensores para enrijecer a suspensão e proteger os pneus e as rodas contra impactos.

Atrás, o destaque são as 4 ponteiras de escape, duas em cada lado | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

O interior traz acabamentos exclusivos e de ótima qualidade: bancos em couro e suede com costuras azuis, cintos de segurança azuis, volante com o emblema Mustang escurecido e uma placa gravada com o número de série de produção no painel. Os bancos dianteiros, aliás, contam com regulagens elétricas e sistema de aquecimento e refrigeração. O espaço para quem vai nos dois assentos traseiros não mudou e segue bastante restrito, tanto para as pernas quanto para a cabeça. Por isso, é mais recomendado para crianças. O sistema Isofix permite instalar duas cadeirinhas infantis. O porta-malas tem ótima capacidade em se tratando de esportivo: leva 382 litros.

O espaço para quem vai nos dois assentos segue bastante restrito | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Desde a 6ª geração, lançada em 2014 nos Estados Unidos e em 2018 no Brasil, o carro não usa mais instrumentos analógicos. Nesse modelo 2018, o cluster era digital, mas ficava em seu local tradicional e tinha formato que lembrava os analógicos. Já a multimídia estava posicionada no painel central, abaixo das saídas de ar. Em 2024, foram introduzidas duas telas digitais retangulares posicionadas em altura elevada e lado a lado, dando a impressão de que são um único painel: uma 12,4” que serve de cluster e outra de 13,2” que exerce a função da central multimídia. Além de conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay e GPS embarcado, a tela vem equipada com sistema de som premium da B&O e 12 alto-falantes.

Assistentes de condução

Telas digitais e bons materiais de acabamento são a marca registrada do interior | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

O esportivo segue dando show no quesito segurança: 7 air bags, piloto automático adaptativo (ACC) com Stop & Go, alerta de colisão com detecção de pedestres, frenagem autônoma de emergência (à frente e à ré), assistente de manutenção e centralização em faixa, assistente de manobras evasivas, farol alto automático, sistema de monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, reconhecimento de placas de velocidade, câmera e sensores de estacionamento traseiros e assistente de partida em rampa.

Motor V8 5.0 está ainda mais potente

São 507 cv de potência e o torque máximo de 57,8 kgfm | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Falar do powertrain do Mustang é a parte mais divertida, assim como dirigir essa máquina. O motor Coyote V8 5.0 é quase uma instituição norte-americana e tem cilindrada equivalente à de 5 propulsores 1.0, gerando mais de 100 cv por litro. Importante ressaltar que não há turbo para alcançar os 507 cv: a aspiração é natural. Com biela e virabrequim herdados do GT500 e calibragem especial, é o motor aspirado mais potente da linha já trazido ao País em um Mustang, sendo superado apenas pela linha Shelby.

Os 507 cv de potência chegam em 7.250 rpm e o torque máximo de 57,8 kgfm em 4.900 rpm. Porém, 80% desse torque já está disponível a apenas 2.500 rpm, bastando pouca pressão no acelerador. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em apenas 3,7 s, mais rápida que os 4,2 s do Mustang GT Performance, com seus 492 cv. A velocidade máxima segue limitada em 250 km/h, mas se não fosse isso, certamente chegaria aos 280 km/h, talvez se aproximando dos 300 km/h.

Ao volante, o carro transpira esportividade. A direção com assistência elétrica tem ótimo peso e o câmbio automático de 10 marchas é competente, fazendo as trocas de forma esportiva. As borboletas para trocas manuais no volante contam com a função downshift, muito útil na pista: quando a haste é mantida pressionada, as marchas são reduzidas automaticamente até atingir a rotação ideal.

A potência é tanta que, mesmo com os controles de tração e estabilidade ligados, o Dark Horse dá uma leve destracionada quando está totalmente parado e o motorista pisa fundo – isso mesmo no asfalto seco. O mais paradoxal de tudo é que, quando se acelera menos, o carro é tranquilo e até dócil de ser conduzido.

A posição baixa de dirigir permite ótima conexão entre piloto, carro e asfalto. A suspensão adaptativa MagneRide tem calibragem dura, o que é de se esperar em um carro esportivo. Com ajuste especial para pista, seu software tem capacidade de realizar até 1.000 leituras por segundo e foi ajustado para oferecer uma resposta ainda mais firme e rápida, priorizando a estabilidade e o controle do veículo em alta velocidade. Na pista, toda essa tecnologia mostra a que veio: muita estabilidade e pouquíssima rolagem da carroceria. Mesmo nas curvas mais fechadas, o carro gruda no asfalto.

Manopla do freio eletrônico facilita manobras como “cavalinho-de-pau” | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Apesar dos seus 1.832 kg, o Mustang Dark Horse tem distribuição equilibrada de peso: 55% na dianteira e 45% na traseira. Com isso, o motorista tem sempre o carro na mão, sem sustos. No máximo uma previsível saída de frente. O diferencial traseiro Torsen com sistema de arrefecimento dedicado transfere o torque para a roda com mais aderência de forma suave e progressiva, livre de sobreaquecimento em uso severo, garante a Ford.

O ronco do motor é outro destaque. Aliás, o ronco chega antes do que o próprio carro, atraindo muita atenção nas ruas. Depois que os fãs identificam que é um Mustang, aí o carro encanta pelo visual inconfundível. Em velocidades de cruzeiro, porém, o ruído do escapamento é bastante reduzido para não incomodar os ocupantes.

Na hora de parar, entram em ação os freios Brembo equipados com pastilhas de alta performance e discos dianteiros flutuantes (de duas peças), de 390 mm, que permitem uma frenagem mais próxima das curvas em alta velocidade, com melhor dissipação de calor. Já os discos traseiros são de 355 mm.

Cinco modos de condução

O carro oferece 5 modos de condução (Normal, Esportivo, Escorregadio, Pista e Pista Drag) com ajustes automáticos de rotação e velocidade das trocas de marcha, assistência da direção elétrica, ronco do escapamento, rigidez da suspensão, sensibilidade do acelerador, controle de estabilidade e tração, luzes ambientes e aparência do painel de instrumentos.

Permite, ainda, criar 6 perfis personalizados de direção, suspensão e escapamento, ou fazer os ajustes separadamente. Nesse caso, basta selecionar os três modos de direção (Normal, Esportivo e Conforto), quatro opções de escapamento (Normal, Silencioso, Esportivo e Pista) ou quatro modos de suspensão (Normal, Esportivo, Pista e Drag).

Para quem gosta de acelerar na pista, o sistema Track Apps oferece outros recursos bastante úteis. Além do freio eletrônico Drift Brake e do Line Lock (travamento das rodas dianteiras para o popular “borrachão”), inclui cronômetros de tempo de volta, aceleração e frenagem, medição de força G lateral e longitudinal e medidores auxiliares de temperatura do motor, temperatura e pressão do óleo, temperatura do diferencial e outros parâmetros, comandados por meio da central multimídia Sync 4.

Consumo de até 11 km/l na estrada

Uma pergunta muito frequente é a seguinte: quanto o Mustang faz por litro? O consumo oficial pelo Inmetro é de 6,3 km/l na cidade e 8,8 km/l na estrada. Lembrando que este é um V8 5.0. Durante o teste, quando conduzido com “pé de anjo” na rodovia, o carro fez ótimos 10 km/l e chegou à marca de 11 km/l. É uma informação importante, pois aumenta a autonomia em uma viagem longa e com menos postos pelo caminho. Aos 293 km, acendeu a luz da reserva do tanque, que comporta 60 litros. E isso que nem acelerei tanto assim, pois consegui me comportar na maior parte do tempo. Em 438 km de teste, a média geral (50% cidade e 50% estrada) foi de 6,4 km/l.

Resumo da Resenha

O Mustang Dark Horse representa uma evolução técnica em relação aos seus antecessores, como o GT Performance. Afinal, potência extra é sempre bem-vinda. Assim como ocorre no mundo inteiro, no Brasil o superesportivo é um sucesso de mercado: já vendeu 4.000 unidades desde 2018, quando começou a importação oficial pela fábrica. Depois que o seu tradicional rival Chevrolet Camaro deixou de ser vendido no País, no início de 2024, o carro nada de braçadas no segmento. Mas comparações à parte, o Mustang é um carro muito mais refinado. Só faltou teto solar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *