
Venda de veículos novos caiu 4,43% em 2025 no RS, totalizando 188.074 unidades

O mercado de veículos zero-quilômetro no Rio Grande do Sul encerrou 2025 com 188.074 unidades emplacadas, registrando retração de 4,43% em relação a 2024 (196.798 unidades), segundo levantamento do Sincodiv/Fenabrave-RS. O desempenho reflete um ano de desafios econômicos, impactos no agronegócio e mudanças no perfil de consumo, mas também aponta sinais importantes de reorganização do mercado para 2026. Em 2025, o RS caiu para a 10ª colocação no ranking nacional, ficando atrás de SP, MG, PR, RJ, BA, SC, PE, PA e GO. O principal fator que puxa o Estado para baixo segue sendo o segmento de motocicletas, além da forte retração em caminhões e implementos rodoviários, diretamente ligados ao agronegócio.
Somente no mês de dezembro, foram 19.117 emplacamentos, com crescimento de 25,11% sobre novembro, confirmando a sazonalidade positiva do último mês do ano, tradicionalmente impulsionada por campanhas comerciais, renovações de frota e decisões de compra represadas ao longo do exercício.
O segmento de automóveis apresentou reação consistente no último trimestre, mas ainda fechou o ano em retração moderada. O comportamento do consumidor foi mais cauteloso em 2025, com decisões de compra postergadas ao longo do ano e retomadas pontuais no segundo semestre. A expectativa da entidade é de estabilização em 2026, com possibilidade de crescimento leve caso o crédito siga disponível.
Os comerciais leves sentiram de forma mais intensa a desaceleração econômica e a retração de investimentos de pequenos e médios empresários, este segmento tem forte desempenho junto ao produtor rural que tem apresentado dificuldades nos últimos anos. Apesar da boa reação em dezembro, o segmento encerra 2025 com queda mais acentuada, refletindo um ano de retração do setor primário.
A queda foi mais expressiva nos caminhões pesados e extrapesados, enquanto a linha leve apresentou desempenho relativamente melhor. O Sincodiv/Fenabrave-RS avalia que o mercado não esperava uma retração tão significativa em 2025. Para 2026, a projeção é de primeiro semestre ainda lento, com retomada mais consistente esperada no segundo semestre, especialmente porque muitos transportadores não realizaram compras em 2025, criando demanda reprimida.
O segmento de ônibus manteve estabilidade ao longo do ano, sustentado por renovações pontuais de frota urbana e escolar. Apesar da leve retração no fechamento anual, o setor apresenta fundamentos positivos e deve seguir como um dos segmentos mais equilibrados em 2026. Anos eleitorais normalmente aquecem o segmento de ônibus.
Embora tenha fechado o ano com crescimento, o desempenho das motocicletas no RS segue bem abaixo da média nacional, onde o mercado avançou cerca de 14%. Esse comportamento impacta diretamente o posicionamento do Estado no ranking nacional.
Paradoxalmente, o RS possui maior poder aquisitivo médio, mas não apresenta o mesmo nível de adesão às motocicletas como solução de mobilidade e trabalho, o que limita o crescimento do segmento no Estado.
O setor de implementos rodoviários enfrentou uma das maiores retrações de 2025. A ausência de linhas de crédito específicas comprometeu a renovação de frota. O pacote anunciado de R$ 10 bilhões para renovação, sendo R$ 6 bilhões do governo federal e R$ 4 bilhões do BNDES, não contempla o segmento de implementos, o que limita a capacidade de reação.
A entidade avalia que, caso o mercado financeiro apresente soluções adequadas de crédito, o setor pode retomar crescimento, mesmo que inicial e moderado.
Eletrificados: crescimento estrutural no RS
O mercado de veículos eletrificados encerrou 2025 com 15.578 unidades emplacadas, crescimento expressivo de 67,70% sobre 2024 (9.289 unidades).
O avanço dos eletrificados confirma uma tendência estrutural, impulsionada por maior oferta de modelos, ampliação da infraestrutura de recarga e maior conscientização do consumidor.
Expectativas para 2026
O Sincodiv/Fenabrave-RS avalia que 2026 será um ano de reorganização gradual do mercado, com:
- Estabilidade em automóveis e comerciais leves, com possibilidade de crescimento de 8%
- Caminhões com primeiro semestre ainda lento, mas melhora no segundo semestre, projeção de crescimento de 3%
- Retomada condicionada de implementos rodoviários, dependente de crédito de 2% de crescimento.
- Motocicletas como ponto estratégico, com potencial de expansão no Estado de 8%
Apesar de um ano marcado por desafios econômicos e setoriais, 2025 foi também um ano de conquistas estruturantes para o mercado automotivo do Rio Grande do Sul. O Sincodiv-RS encerra o período com a convicção de que avanços institucionais, regulatórios e operacionais criaram bases mais sólidas para o desenvolvimento do setor a partir de 2026.
Ao longo do ano, o Estado avançou de forma consistente na desburocratização de processos, na redução de entraves tributários e na modernização das relações entre poder público, empresas e consumidores. Medidas como a substituição tributária para peças, a regulamentação da venda de veículos por locadoras após um ano de uso, a primeira iniciativa da CNH Social, o avanço do Renave de Usados e o fim da vistoria de veículos zero quilômetro representam ganhos concretos de eficiência, segurança jurídica e competitividade para toda a cadeia automotiva.
Um marco fundamental foi a aprovação do Projeto de Lei nº 274/2025, que fixa em 12% a alíquota do ICMS incidente sobre veículos novos — elétricos ou a combustão, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. Trata-se de uma medida estruturante, que alinha o Rio Grande do Sul aos estados mais competitivos do país, estimula investimentos, amplia o acesso do consumidor ao veículo novo e fortalece o ambiente de negócios no Estado.
Muitos desses avanços são resultado de diálogo institucional entre nossa entidade e órgão governamentais, uma atuação técnica e construção coletiva, pilares que seguem guiando o trabalho do Sincodiv-RS. A entidade acredita que 2026 será um ano de consolidação, com um mercado mais equilibrado e novas oportunidades de crescimento, especialmente com o amadurecimento do crédito, a retomada gradual do agronegócio e a expansão da mobilidade sustentável.
