
Honda City Hatch Touring: nova grade, nova personalidade

Uma grade frontal pode não parecer uma grande mudança estética em um carro, mas no Honda City esse componente alterou significativamente a personalidade. Incrível isso, mas a grade modernizou o modelo, aumentando o apelo esportivo principalmente da versão hatch. Confira equipamentos, consumo e desempenho da versão topo de linha Touring nas Impressões ao Dirigir.
As mudanças no hatch e no sedã – ambos produzidos na fábrica de Itirapina, interior de São Paulo – foram introduzidas em novembro de 2024, já como linha 2025. A nova grade é toda preta e tem acabamento black piano na junção com o capô, substituindo a anterior, caracterizada por uma barra cromada. No sedã, também mudou, mas segue cromada, concedendo um ar mais sóbrio. Também são novos o para-choque dianteiro e traseiro, que no hatch aumentaram o comprimento total do carro em 2 cm, para 4,34 m. As demais medidas seguem as mesmas: 2,60 m de entre-eixos, 1,75 m de largura e 1,50 m de altura. As rodas raiadas diamantadas aro 18” em liga-leve são pretas, calçadas com pneus 185/55.

O exemplar enviado pela montadora para o tradicional teste de uma semana é na cor vermelho Supernova perolizado e custa R$ 148,2 mil. Abaixo dessa versão topo de linha estão a EXL (R$ 139,8 mil), EX (R$ 132,6 mil) e a de entrada LX (R$ 117,5 mil). Os preços do sedã são exatamente os mesmos, mas com a vantagem de entregar um porta-malas maior (519 litros, contra 268 litros do hatch).

O sistema Magic Seat, que ficou famoso no saudoso Honda Fit, dá um show de modularidade, permitindo rebater uma ou as duas seções do banco traseiro, bem como levantá-las para poder transportar objetos mais altos, como um vaso de flores, por exemplo. Vale ressaltar, porém, que este sistema só está disponível no hatch, e não no sedã.
Juntamente com esse facelift, o carro recebeu novo freio de estacionamento eletrônico (EPB) em substituição à tradicional alavanca. Próximo dali está o botão do sistema Brake Hold, que mantém o veículo parado até o condutor retomar a aceleração, evitando desgaste desnecessário do câmbio automático. Essa alteração exigiu redesenho do console, agora melhor reaproveitado, pois foi criado um nicho para o celular, que também funciona como carregador sem-fio (Wireless Charger). Desde a EX, carro traz portas USB para carregamento de energia: duas do tipo A no painel dianteiro e duas do tipo C para os ocupantes do banco de trás.
Multimídia aperfeiçoada

Internamente, o carro segue agradando pela ergonomia e bom acabamento. Destaque para os bancos dianteiros da versão Touring, que são em couro e abraçam bem o corpo nas curvas.
A central multimídia foi aperfeiçoada é equipamento padrão em todas as versões. A tela LCD traz melhor definição das imagens, nova interface, gráficos otimizados, boa gama de cores e três papéis de parede diferentes. A câmera de ré, que equipa todas as versões do sedã e está disponível no hatch a partir da EX, também evoluiu e agora oferece imagens com melhor resolução. Outro item de destaque é o LaneWatch, disponível nas versões EXL e Touring do sedã e na Touring do hatch.
Desde a versão EX, por exemplo, o painel conta com quadro de instrumentos com tela TFT de 4,2” colorida – nas versões EXL e Touring, a tela TFT é de 7”, multiconfigurável.
Modelo vem com freio a disco na traseira, ar-condicionado digital com ajuste automático de temperatura e duas portas USB Tipo C na traseira. O ar-condicionado digital Dual Zone, exclusivo das versões Touring possibilita a seleção de diferentes temperaturas para motorista e passageiro dianteiro.

A plataforma de conectividade myHonda Connect é item de série na Touring. Trata-se de um aplicativo que oferece informação, segurança e controle do veículo, conectando o motorista ao seu carro via smartphone. Com o myHonda Connect é possível ter acesso a um menu completo de serviços como consultar status do veículo, acionar controles remotos (dar a partida no motor e ligar o ar-condicionado à distância, travar e destravar as portas e localizar o veículo, verificar pressão dos pneus) entre outras funcionalidades.
Assistência à condução

O Honda Sensing, antes exclusivo da Touring, foi estendido às versões EX e EXL, acrescentando o LSF (Low Speed Follow), que se soma ao Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC),
Todas as versões do sedã e do hatch dispõem de seis air bags. Além disso, a estrutura da carroceria segue um conceito tecnológico desenvolvido pela Honda denominado ACE – Advanced Compatibility Engineering, que tem como característica distribuir uniformemente a energia de eventuais colisões, direcionando-as de modo a salvaguardar a integridade da cabine e seus passageiros.
Motor 1.5 gera 126 cv com álcool ou gasolina

O motor que equipa todas as versões de sedã e hatch permanece o 1.5 flex de quatro cilindros em linha, com cabeçote, bloco e cárter de alumínio, injeção direta e duplo comando no cabeçote.
O sistema i-VTEC altera a amplitude e duração da abertura das válvulas de admissão, enquanto o VTC – Variable Timing Control avança ou retarda a sincronia do comando de admissão. A potência máxima é de 126 cv a 6.200 rpm, seja com etanol ou com gasolina. O torque máximo é de 15,8 kgfm a 4.600 rpm (etanol) e 15,5 kgfm a 4.600 rpm (gasolina).
O câmbio CVT oferece os sistemas Step-shift e EDDB (Early Down-shift During Braking). O primeiro é voltado para condução esportiva e simula trocas de marcha em pontos fixos quando o acelerador é pressionado de forma intensa. Já o EDDB age em declives, aplicando freio-motor quando detecta a ação do condutor no pedal do freio, trazendo mais segurança e menor degradação do sistema de freio.

Ao volante, o modelo entrega boa dirigibilidade e estabilidade. Sistema traseiro conta com eixo de torção e, pelo menos no hatch, merecia suspensão multilink, mais adequada à proposta.
O consumo indicado pelo Inmetro, com álcool, é de 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada. Com gasolina, o carro promete fazer 13,2 km/l na cidade e 15 km/l na estrada. Na estrada, o exemplar – que estava abastecido com gasolina – fez facilmente 17 km/l em diversos trechos. Durante os 447 km de teste, o modelo fez média geral de 13,2 km/l (50% estrada e 50% cidade).
Resumo da Resenha
Além de moderno e descolado, o City Hatch recompensa o bolso do proprietário com muita economia. Porém, houve um tempo em que configuração Touring era sinônimo de motor turbo na linha Honda. Apesar de o desempenho dessa configuração do City não deixar a desejar, bem que esta versão hatch merecia a cavalaria extra do 1.5 de 177 cv e 24,5 kgfm de torque, mais adequado à proposta esportiva do modelo.
