
Fiat Titano Ranch: linha 2026 ganha motor mais potente, novo câmbio e piloto automático adaptativo (ACC)
Tecnologias semiautônomas, motor 20 cv mais potente e novo câmbio com duas marchas extras, totalizando 8 velocidades. A linha 2026 da picape média da Fiat traz importantes evoluções técnicas. E na prática, o que mudou? Confira desempenho e consumo nas Impressões ao Dirigir da versão topo de linha Ranch, comercializada por R$ 285,99 mil.

A picape, que era montada no Uruguai desde o seu lançamento no Brasil, em março de 2024, passou a ser fabricada em Córdoba, na Argentina, aumentando volume de produção, versões e, consequentemente, o leque tecnológico. A potência do motor turbodiesel Multijet 2.2 passou de 180 cv para 200 cv a 3.500 rpm e o torque máximo aumentou de 40,8 kgfm para 45,91 kgfm a 1.500 rpm. O ganho mais visível foi no tempo de aceleração de 0 a 100 km/h, que baixou de 12,4 s para 9,9 s, conforme medições da Fiat. Ao volante, essa melhoria é perceptível em todas as faixas de trabalho, pois a picape ficou mais esperta. A velocidade máxima aumentou de 175 km/h para 180 km/h.
Aliado às duas marchas extras da transmissão automática, que agora conta com 8 velocidades, o motor ficou mais econômico, segundo a montadora. Na cidade, era de 8,5 km/l e passou para 9,9 km/l, ficando 16% mais econômica. Já na estrada, o consumo passou de 9,2 km/l para 10,8 km/l (17% melhor). Durante os 8 dias de teste, o modelo fez 12,3 km/l na estrada. Mesmo após rodar 636 km (50% estrada/50% cidade), o computador de bordo mostrava que ainda havia 150 km de autonomia, o que em tese totalizaria 786 km. O tanque de combustível comporta 80 litros.

A Titano ainda ganhou novo sistema de tração integral permanente (AWD), que permite a troca automática entre a tração traseira (2H) e a tração integral (4X4), garantindo melhor desempenho e mais segurança nas mais diferentes superfícies. À frente da manopla do câmbio automático – que recebeu novo design – está o seletor da tração 4×4, permitindo optar entre os modos Auto, 4×4 alta e 4×4 reduzida.

A montadora fez outras duas alterações que melhoraram a dirigibilidade: a suspensão recebeu nova calibragem e a direção hidráulica foi substituída por uma elétrica, deixando as manobras ainda mais leves e se aproximando bastante dos carros de passeio da marca. A direção, aliás, segue oferecendo regulagem de altura e profundidade, algo muito útil para o motorista. O sistema de estacionamento agora é elétrico, eliminando a alavanca do freio de mão e economizando espaço na cabine A picape também passa a contar com freios a disco nas quatro rodas.
Novo quadro de instrumentos

O quadro de instrumentos é novo, com tela colorida de 7’’ para a versão Ranch, mas ainda se parece com o painel do Chevrolet Agile, lembram? Algumas informações, como quilometragem percorrida e consumo, são exibidas com números pequenos demais, dificultando a visualização.
Logo de cara fica evidente que se está a bordo de um Peugeot, principalmente pelo design do volante, botões do console central, manopla do câmbio e tela multimídia de 10”. De qualquer maneira, o visual geral interno é bastante diferente das demais picapes à venda no mercado. Não se surpreendem se, de uma hora para outra, a Fiat desenhar um painel específico ou substitui-lo por um idêntico ao do Toro, por exemplo, pois condições técnicas a montadora tem de sobra.
A central multimídia pode ser personalizada e facilita o acesso às várias configurações do carro, oferecendo agora uma página exclusiva para condução fora-de-estrada (Off-Road). Com Apple Carplay e Android Auto, a central foi aprimorada, agora com conexão sem fio para smartphones. No entanto, o processo de sintonização e memorização de estação de rádios, por exemplo, deveria ser mais simplificado para facilitar a vida do motorista.
A câmera 360° off-road é composta por 4 câmeras distribuídas no exterior do veículo e é ativada automaticamente quando obstáculos são detectados durante a direção, exibindo as imagens na multimídia.
Composto por plásticos secos, o painel bem que merecia materiais agradáveis ao toque, pelo menos na versão topo de linha. Entre os poucos requintes visuais estão os insertos em alumínio nas molduras das saídas de ar, da manopla do câmbio, trincos das portas e botões dos comandos do ar-condicionado. Tanto o banco do motorista quanto o do passageiro contam com regulagens elétricas de altura e distância.
Piloto automático adaptativo (ACC) é novidade
A linha 2026 também avança na segurança ao receber sistemas de assistência à direção. Agora, a versão Ranch passa a contar com o sistema Adas (Advanced Driver Assistance Systems), oferecendo recursos como frenagem automática de emergência, monitoramento de ponto cego e piloto automático adaptativo (ACC), deixando a condução mais segura.
Outros sistemas de assistência ao condutor são o alerta de saída de faixa, assistente de descida (Hill Descent Control), detector de pressão dos pneus (TPMS), controle eletrônico de estabilidade (ESP), assistente de partida em rampa e controle de tração e o Trailer Swing Control, que melhora a estabilidade ao rebocar. Além disso, a Titano conta com 6 air bags, 7 alças de apoio e freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem (EBD).
Design não mudou
O visual moderno segue o mesmo, agradando de qualquer ângulo. Os faróis afilados de pequenas dimensões contrastam com a grade de grandes proporções com a inscrição Fiat ao centro. Atrás, as lanternas verticais avançam alguns centímetros em direção à lateral e são muito parecidas com as da Nissan Frontier. Alguns elementos de design também lembram a Hilux. As rodas raiadas em liga-leve aro 18” – semelhantes às da S10 da geração anterior – são calçadas com pneus mistos 265/60. Bonitas, dão um toque de esportividade.
Dimensões e capacidades

A Titano impressiona pelo tamanho, muito maior que o da irmã Toro e equivalente ao das concorrentes. São 5,33 m de comprimento, 3,18 m de distância entre-eixos, 1,96 m de largura e 1,86 m de altura (1,89 m com as barras longitudinais).
Na caçamba, cabem 1.210 litros de objetos ou 1.020 kg. Versão pesa 2.150 kg e pode reboques com até 3.500 kg, desde que tenham freios.
Resumo da Resenha
Quando foi lançada no Brasil, em março de 2024, a picape Titano era basicamente um Peugeot Landtrack com logos da Fiat espalhados pela carroceria. A meta inicial era marcar presença no segmento de modelos médios e atender ao setor de licitações corporativas, principalmente grandes empresas que compram picapes para o trabalho.
Agora produzida na Argentina, incorpora evoluções que começam a incomodar a concorrência. Ganhou, por exemplo, o piloto automático adaptativo (ACC), colocando-a, pelo menos nesse quesito, na frente da Chevrolet S10, que não oferece esse importante sistema. São muitas as concorrentes da Titano, como a Ford Ranger XLS 2.0 4×4 automática (R$ 285,99 mil). Nesta faixa de preço, há também a briga interna na Fiat (Toro Ranch 2.2 turbodiesel por R$ 230,99 mil) e na Stellantis (Rampage 2.2 Laramie por R$ 265,99 mil).
De qualquer maneira, em um setor repleto de sucessos de mercado, aos poucos a Titano vai mostrando o seu leque de qualidades, que não para de aumentar.
