Fiat Fastback Impetus Hybrid vale a pena o investimento? Confira o teste

Apenas o adesivo na traseira identifica tratar-se da versão híbrida do Fastback | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Em novembro de 2024, o Fastback ganhou a versão híbrida leve que, juntamente com o Pulse, consistem nos primeiros modelos da Fiat a usar essa tecnologia no Brasil. Ambos prometem redução de até 11,5% no consumo urbano, conforme a montadora. Mas como funciona essa tecnologia na prática? Vale a pena para o bolso? Confira as Impressões ao Dirigir da Impetus Hybrid.

O exemplar enviado pela montadora para o tradicional teste de uma semana é na cor metálica azul Amalfi com teto preto, que acrescenta R$ 1,99 mil ao preço de tabela (R$ 165,99 mil), elevando o valor da Impetus Hybrid para R$ 167,98 mil. Com isso, encosta bastante na Limited Edition T270 (R$ 171,99 mil) e na Abarth T270 (R$ 177,99 mil), ambas equipadas com motor 1.3 de 4 cilindros bem mais potente (180 cv com gasolina e 185 cv com etanol, bem como e 27 kgfm de torque com qualquer um dos combustíveis). Abaixo da Impetus Hybrid estão a Audace Hybrid (R$ 159,99 mil) e a Turbo 200 (R$ 119,99 mil).

Motor recebe uma força extra de até 4 cv de um motor elétrico multifuncional | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Importante reforçar que essa configuração do  Fastback – assim como a do Pulse – é considerada um híbrido leve (MHEV). O motor T200 1.0 de 3 cilindros é o mesmo das demais versões, gerando 125 cv com gasolina e 130 cv com álcool a 5.750 rpm, bem como torque de 20,4 kgfm a 1.750 rpm com qualquer um dos combustíveis. Por meio do sistema e-Assist, esse propulsor recebe uma força extra de um motor elétrico multifuncional que substitui o alternador e motor de partida. O sistema gera potência de até 4 cv (3kW) e torque de 1 kgfm. Ao mesmo tempo em que proporciona potência e torque adicional para o motor térmico do veículo, o propulsor elétrico gera energia para carregar as baterias de chumbo-ácido de 68Ah e de íon de lítio de 11Ah, ambas de 12V, que por sua vez fornecem energia ao motor elétrico. A economia de combustível chega a 11,5% no ciclo urbano, garante a Fiat. 

Para otimizar o funcionamento, o powertrain conta também com os sistemas Start&Stop (desliga e religa o motor a combustão durante breves paradas) e e-Regen (regenera até 25% da energia que seria desperdiçada em um motor convencional). Ao contrário de modelos híbridos convencionais (HEV) como o Toyota Prius, por exemplo, o Fastback híbrido não é capaz de mover-se apenas com o motor elétrico, que apenas dá uma força ao propulsor térmico. Importante reforçar que as baterias do carro também não são do tipo plug-in, sendo recarregadas pelo motor a combustão e também durante as desacelerações. O câmbio CVT com 7 marchas simuladas ajuda a otimizar a eficiência, oferecendo função Sport e paddle shifts (borboletas) para trocas manuais.  

Botão Sport deixa o carro mais nervoso, trocando as marchas em rotações mais altas | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Ao volante, confesso não ter sentido diferença alguma nas acelerações ou retomadas, pois o 1.0 T200 flex já garante bom desempenho ao modelo. Esses 4 cv e 1 kgfm extras proporcionados pelo motor elétrico passaram despercebidos, pelo menos para mim. Se tivesse feito o mesmo percurso minutos antes com uma versão flex, talvez pudesse notar melhorias.   

Conforme a montadora, a versão acelera de 0 a 100 km/h em 9,4 s com álcool e em 9,5 s com gasolina. Já as velocidades máximas são de 196 km/h com álcool e 194 km/h com gasolina. Comparando as fichas técnicas da versão Hybrid Impetus e da Turbo 200, movida apenas a combustão, os números de desempenho são quase os mesmos, comprovando a percepção que se tem na prática.

Consumo melhorou

Quando analisado o consumo, porém, nota-se uma leve melhora. De acordo com o Inmetro, com gasolina a versão híbrida faz 12,6 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada. Com etanol, promete 8,9 km/l na cidade e 9,8 km/l na estrada. 

Na configuração puramente a combustão, também segundo o Inmetro, o modelo faz, com gasolina, 11,9 km/l na cidade e 14,6 km/l na estrada. Com álcool, promete 8,4 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada. Durante o teste, o exemplar – abastecido com gasolina – fez até 17 km/l em trechos de estrada. Nos 441 km percorridos ao longo de uma semana, o consumo médio foi de 12,5 km/l (50% cidade e 50% estrada). 

Dimensões

Bom espaço para quem vai atrás graças ao entre-eixos de 2,53 m | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Apenas o adesivo T200 Hybrid na traseira indica tratar-se da versão híbrida. Dono de um visual marcante e acertado, que lembra o BMW X4, o Fiat Fastback  tem 4,42 m de comprimento, 2,53 m de entre-eixos, 1,55 m de altura e 1,77 m de largura. Grande capacidade do porta-malas é um diferencial do modelo: 600 litros. Além disso, o banco traseiro é bipartido (60/40) e rebatível. Tanque de combustível comporta 45 litros. Versão pesa 1.271 kg e está equipada com rodas aro 18” calçadas com pneus 215/45.

Generoso porta-malas é um diferencial do modelo: 600 litros | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Equipamentos

O painel digital (de 7” Impetus e 3,5” na Audace) é exclusivo das versões híbridas e mostra o nível de carga da bateria. Durante as frenagens, a função de regeneração converte energia mecânica em elétrica, que é armazenada nas duas baterias – chumbo-ácido e íon de lítio. O sistema é capaz de regenerar até 25% da energia que seria desperdiçada em um motor convencional. 

Bons materiais de acabamento e muito conforto a bordo da versão híbrida | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Acabamentos internos da versão Impetus Hybrid têm boa qualidade e bancos são em couro. Modelo traz saídas do ar-condicionado também para os passageiros de trás. Entre os itens de assistência à condução estão Frenagem autônoma de emergência (AEB), Alerta de mudança involuntária de faixa (LDW) e Comutação automática de farol alto (AHB). Carro não conta com o piloto automático adaptativo (ACC), apenas com o piloto automático tradicional.

Painel digital é exclusivo das versões híbridas e mostra status de carga da bateria | Foto: Adair Santos/Carros e Carangas

Resumo da Resenha

Toda tecnologia híbrida é válida e a economia de até 11,5% no combustível é um número que não pode ser desprezado, principalmente para quem roda bastante. Porém, não espere poder rodar com o Fastback somente no modo elétrico, pois o sistema oferece apenas 4 cv e 1 kgfm extras, não sendo capaz de movimentar o veículo sozinho.

Os híbridos leves (MHEV), inclusive, agora precisam pagar IPVA em São Paulo. No Rio Grande do Sul, apenas 100% elétricos estão isentos do imposto. Outra mudança relevante é que os híbridos leves como Fastback já não são mais considerados nas estatísticas oficiais da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Se a economia de combustível não for tão importante, gaste R$ 10 mil a mais e leve para casa a versão Abarth, que tem desempenho muito superior e ainda assim bebe pouco: com gasolina, faz 10,3 km/l na cidade e 13,1 km/l na estrada e, com álcool, percorre 7,2 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada.